20090615

NOVOS RUMOS

Olho para minhas lembranças guardadas em gavetas fechadas,
e repentinamente, sinto urgência em remexer nas marcas
ali deixadas, de tantos momentos vividos.
Abro-as como um ritual sagrado, cuidadosamente
e me vejo tocando em versos, em perfumes,
em juras de amor, pedaços de uma vida que se foi.
Percebo que se tornaram amareladas e desbotadas,
entendo que não fazem mais sentido na minha realidade,
deixaram de ser o meu foco e se tornaram relíquias.
E descubro que até as cicatrizes que trago,
estão meio esbranquiçadas, antigas, quase imperceptíveis,
só demonstram ainda as lutas que venci.
E curiosa, como que me apalpo,
procurando descobrir em que se tornou,
o meu EU INTERIOR, comprovo surpresa,
uma sensação de confortável.
Um sapato folgado que protege e aquece,
sem apertos, sem asperezas,
uma roupa velha, que teimamos em usar,
nas horas que mais precisamos de conforto e segurança.
Fica claro que a pele se moldou a essa nova forma,
esculpida lentamente no fogo da paixão,
que em estado de ferro em brasa,
se esfriou no gelo da desilusão.
Resultando num modelo que transita entre,
a firmeza da maturidade e os sonhos de menina,
que acredita no amor, mas exige Certificado de procedência e de validade.
Tenho a certeza instantânea, que sou náufraga
salva das ondas de um mar desconhecido,
que aprendeu a respeitar e a vencer.
E depois de todos os obstáculos e perigos, sobrevivi,
pois caminho inteira, fêmea ciente do que sou,
olhos pregados no Céu, em busca das estrelas,
que me guiaram na noite escura.
E instintivamente, sinto o grito que me chama,
que vibra no espaço e encontra eco dentro do meu ser.
E descubro que existem novos rumos ainda a seguir, e novas histórias ainda a escrever.
Autoria Alma de Loba

FLORES NA JANELA



Há dentro de mim um tempo de desassossego, de inquietação.
Tudo é ansiedade e contraditoriamente o hoje,
molemente se arrasta.
Sinto-me plainar num mundo paralelo, que sabe instintivamente
Que, o que há de ser, será de qualquer forma,
mas ainda não chegou.
Percorro escadas que hora descem a
subterrâneos escuros e me assusto.
Hora me levam a varandas ensolaradas
de céu azul e sorrio.
Hoje sou a menina que corre pelos campos floridos a colher flores,
Pensando em te presentear, em enfeitar a casa que a espera.
Tenho nos olhos o brilho das estrelas de um Universo particular,
que me pertence e é exclusivo dos sonhadores.
Vivo a sensação que a felicidade também está na espera
que antecede o fato, onde antegozamos a realidade que virá...
Autoria Alma de Loba